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Por Débora Mabaires, Buenos Aires, para Desacato.info.

Tradução: Raul Fitipaldi, para Desacato.info. (Port./Esp.)

 

 

Nas últimas semanas a sociedade argentina começou a se manifestar maciçamente contra as políticas de Mauricio Macri.

 

Além dos protestos que cada sindicato tem organizado pela falta de respostas às demandas salariais, ou pelas demissões massivas, teve outras imensas congregações na cidade de Buenos Aires.

 

Milhares de professores e professoras de todo o país confluíram pacificamente na cidade depois de percorrer simbolicamente o território nacional, fazendo a Marcha Federal Educativa para reclamar melhoras salariais e laborais que o governo se nega a dar.

 

A outra manifestação é a organizada pelos setores políticos opositores, organismos de Direitos Humanos, Mães e Avós de Praça de Maio, atores e organizações sociais com o lema:  “A Pátria está em perigo”, para manifestar-se contra a intenção de Maurício Macri e seu gabinete de endividar-nos e amarrar-nos de novo ao Fundo Monetário Internacional. Um milhão e meio de pessoas gritando sua bronca no Obelisco a um presidente cada vez mais desfigurado, cada vez mais sozinho.

 

No mesmo dia se celebrava na Argentina um novo aniversário da Revolução de Maio de 1810; pelo que Macri teve que assistir ao tradicional te-déum que acontece na Catedral Metropolitana. Para evitar escutar o povo, fez colocar barreira de segurança na área nas redondezas do local, e cumprimentou a Praça de Maio vazia para garantir a foto do ato (imagem de capa), simulando mais uma vez um suposto acompanhamento popular inexistente.

 

Embora tentou não ser perturbado pelo clamor popular, não pôde impedir as duras palavras do Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal Mario Poli, que escolheu na Bíblia a história de Zaquéu, o arrecadador: “… era um ofício desprezível porque a maior parte do dinheiro que arrecadavam ia para as arcas romanas, não sem reter uma boa parte dos impostos, de modo que enriqueciam notavelmente”. “… Eram indiferentes ao patriotismo dos seus concidadãos que lutavam para obter a liberdade do seu povo humilhado. Essas e outras atitudes lhes valeram o desprezo popular e eram considerados grandes pecadores”.

 

A simples vista pode parecer ligeiro, mas, entre os que lá estavam o desconforto era bastante pesado já que não esperavam esse golpe.

 

Enquanto escrevo estas linhas está sendo realizada outra Marcha Federal que também percorre todo o país, na qual colunas de manifestantes convocados pelas organizações sociais, religiosas e alguns dirigentes políticos tentarão confluir em Buenos Aires no dia 1º de junho.

 

O subsolo da Pátria começa a se mexer e Mauricio Macri, cada vez mais desesperado pela queda da sua imagem perante um povo que o repudia, a cada dia com menos pudor, começa a tremer.

 

Na segunda-feira, o presidente fez um pronunciamento transmitido por todos os canais de televisão. Em poucos minutos, com bons modos, condicionou publicamente os mandatários provinciais opositores para que instruam os senadores para não votarem no Congresso a lei que freia o brutal incremento das tarifas que está fazendo falir as economias regionais, as médias e pequenas empresas e a economia familiar. Esta imprecação é para que o protejam de ter que ser ele mesmo quem vete a lei, o que demonstra uma fraqueza que, até agora, nunca tinha mostrado em público.

 

Como se não bastasse, disse aos legisladores opositores que “não sigam as loucuras da (senadora) Cristina Kirchner”.

 

A ex-presidenta, que mantém um respeitoso silêncio, escreveu na sua conta de Twitter: “Tratar de louca uma mulher. Típico de Machirulo”. Em nosso país, o vocábulo refere-se a um machista tonto, de poucas luzes.

 

E Macri conclui o pronunciamento dizendo aos argentinos que para poupar na fatura do serviço elétrico tínhamos que mudar por lâmpadas LED a iluminação dos nossos lares. Maurício Macri não disse que ele e o chefe do seu gabinete, são os donos da importadora de lâmpadas LED produzidas na China, nem que o seu pai é o representante de negócios dos empresários chineses em toda a América latina faz 25 anos; e que recebe uma comissão de 4% pelas vendas.

 

Durante o dia todo, as redes sociais e os meios de comunicação, deixaram em ridículo este Macri patético que, enquanto viola a divisão de poderes publicamente, insulta a ex-presidenta e vende lâmpadas mostrando sua vocação de vendedor de bugigangas.

 

Macri está começando a mostrar desespero. Isso nunca é bom para o povo.

 

Fonte: Desacato.info

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