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O inquérito aberto em 2009 pelo governo britânico concluiu que o país avançou para a guerra no Iraque antes de estarem esgotadas as vias pacíficas e sem provas da existência de armas de destruição massiva.

Sete anos depois, as conclusões do inquérito ao papel do Reino Unido na guerra do Iraque, divulgadas esta quarta-feira, não deixam dúvidas que a decisão de invadir o país teve como base informações que não eram fiáveis, que Saddam Hussein não constituía a ameaça que Blair e Bush agitavam e que “a ação militar naquele momento não era um último recurso”, como justificaram os dois chefes de governo.

O responsável pelo inquérito, John Chilcot, afirmou que o primeiro-ministro britânico aceitou em janeiro de 2003 o calendário de Washington para dar início à guerra em meados de março. Ou seja, a guerra estava decidida meses antes da cimeira das Lajes, que Durão Barroso apresentou em Portugal como uma “oportunidade para a paz”.

A dificuldade de Bush em convencer os membros do Conselho de Segurança da ONU a aprovar uma segunda resolução sobre o Iraque levou Bush e Blair a escolherem o caminho da guerra, mesmo sem provas de violações da resolução já aprovada pelas Nações Unidas por parte de Bagdade.

“Em março de 2003 não havia nenhuma ameaça iminente por parte de Saddam Hussein”, concluiu por unanimidade este relatório que não poupa o governo de Tony Blair, por ter tomado uma decisão com base em informações erradas e sem uma preparação adequada para as consequências dessa decisão.

As críticas do “relatório Chilcot” estendem-se ao período pós-invasão e à falta de planeamento para essa fase. O inquérito afirma que o governo britânico esperava que fossem as Nações Unidas a assumirem a gestão do pós-conflito. A comissão rejeitou ainda a afirmação de Blair de que os problemas pós-invasão eram impossíveis de prever e concluiu que o país não dispunha dos meios para conduzir ao mesmo tempo as ações militares no Iraque e no Afeganistão.

Fonte: Esquerda.net

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