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Por Elaine Tavares

O Banco Mundial - que é uma instituição financeira criada a partir das Conferências de Bretton Woods, em 1945, bem como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio(GATT)  -  tem por prática realizar pesquisas sobre a pobreza no mundo. Como sua principal função é a de realizar empréstimos aos países pobres, impondo a eles regras leoninas, ao que parece gosta de colocar no papel o resultado daquilo que provoca.

Pois essa semana o banco lançou o relatório 2016 sobre a pobreza no mundo “Poverty and Shared Prosperity 2016: Taking on Inequality”. Segundo os dados colhidos são de 2013, o que significa que podem já ter mudado consideralvelmente. Ainda assim  é sempre bom dar uma olhada para ver o que o Banco Mundial consegue enxergar.

Na tabela sobre números absolutos de pobres no mundo – eles consideram pobres os que vivem com até 1,90 dólares ao dia -  o banco chega a 766 milhões de pessoas. O maior volume de gente nessa condição fica na África subsaariana, com 388 milhões. Depois vem a parte sul da Ásia, com 256 milhões e a América Latina, com 33 milhões.  Os números sobre a pobreza nas partes central e norte da África não foram colhidos em função de problemas como a dificuldade de  acessar as famílias e impossibilidade de comparar o ganho delas com o dólar. Só essa não-informação já é bastante perturbadora.

A pesquisa revela que os pobres do mundo são predominantemente rural (80%), jovens (44% tem até 14 anos), de baixa escolaridade (39% não têm escolaridade formal), a maioria empregados no setor agrícola (64%),  e vivendo em famílias que tem mais de dois filhos.  

Do total de 766 milhões de pessoas nessas condições de pobreza, 385 milhões são crianças e mais de um quinto deles são menores de cinco anos.  A África subsaariana tem o maior número de crianças nessa condição, quase 50%. Em segundo lugar vem o sul da Ásia com 36% e a Índia, com 30%. Afetadas pela fome e pela miséria muitas delas morrem antes de chegar a idade adulta, e se conseguem sobreviver tem seu desenvolvimento físico e mental bastante prejudicado.  

O trabalho de pesquisa foi realizado em 89 países, totalizando 83% da população dos países ditos “em desenvolvimento”.

Sobre o Brasil, o relatório traz números interessantes, a considerar que são do Banco Mundial, sempre bom lembrar. O trabalho aponta que em 1989, o índice de Gini do Brasil (medida de desigualdade) foi de 63, o segundo mais alto do mundo. Mas, isso mudou bastante no período que vai de 2004 a 2014, “por conta do rápido crescimento econômico”, diz o texto. O índice Gini caiu para 51 em 2014. Segue o documento: “Durante a década de 2000, o boom nos preços das commodities gerou termos positivos para o comércio e a estabilidade macroeconômica impulsionou o crescimento. Houve melhoria no mundo do trabalho com prêmios salariais para os menos qualificados, mais empregos formais, e um salário mínimo maior. As políticas sociais também ajudaram a aumentar os rendimentos dos pobres. Esses foram os fatores responsáveis por aproximadamente 80% do declínio da desigualdade em 2003-13. O bolsa-família, carro-chefe da transferência de renda, sozinho, explica de 10 a 25% na queda da desigualdade”.

Sempre bem importante salientar que esses dados são de uma pesquisa do Banco Mundial, e que a mesma instituição que efetivamente provoca a pobreza nos países empobrecidos é a que mostra o tamanho da desigualdade social. Aproveita o número assombroso de pobres para justificar novos empréstimos e novas políticas recessivas aos países.

Como é natural, o relatório mede em números, a partir da lógica do vencimento de 1,90 dólares ao dia, uma pobreza que aparece como natural. Não está em questão os motivos de tudo isso e não se mostra que o rosto miserável do mundo é o outro lado do rosto rico. Possivelmente o número de pobres ultrapassa os bilhões, pois não pode ser considerado sequer remediado aquele que ganhe, por exemplo, cinco dólares ao dia. Então, somando-se aos 766 milhões os que também estão na linha da pobreza, e que não conseguem prover sua existência e teremos a conta já conhecida: 1% da população mundial vive na riqueza e quem sustenta tudo isso são os 99% restantes. 

Fonte: Iela

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