“Infelizmente, algumas mortes terão, paciência, acontece, e vamos tocar o barco”. Essa declaração criminosa foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro ao se referir à população, em sua maioria idosa, que está morrendo no país de Covid-19.

Em outras declarações, igualmente desrespeitosas, o presidente ignorou a vida e saúde da população de mais idade do país, com maior risco de morrer em decorrência da pandemia. Nos boletins epidemiológicos que saem periodicamente, pelo menos 70% das mortes são de pessoas com 60 ou mais anos. Pessoas que tem netos, filhos e toda uma vida de trabalho para o país, e que estão sendo deixadas em segundo plano por esse desgoverno. 

“Quero destacar a necropolítica implantada no nosso país e denunciar esse absurdo. Bolsonaro chegou a dizer que caso os hospitais não pudessem atender a todos, a prioridade deveria ser os jovens, e não as pessoas com mais de 60 anos. Repudiamos essa política implantada em nosso país que discrimina quem é idoso ou aposentado, querendo determinar quem vai sobreviver ou não nessa pandemia”, denuncia Gesa Linhares, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

Mesmo sendo tratados por Bolsonaro com desrespeito, os idosos, sobretudo os aposentados, têm sido ainda arrimo de família nesta pandemia, já que muitos trabalhadores perderam emprego neste período de crise. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego atingiu 13,3% da população em junho, maior índice desde 2017.

Em 20,6% dos 71,3 milhões de domicílios do país, a renda do idoso representa mais de 50% do total dos vencimentos das famílias, de acordo com estudo feito Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ainda de segundo o estudo, em 18% de domicílios, as aposentadorias ou bicos feitos pelos idosos são a única fonte de renda.

Famílias que têm o rendimento mensal de R$ 1.533 por pessoa, são totalmente dependente dos seus parentes acima de 65 anos e forma a massa de 23 milhões de brasileiros (18,4 milhões de idosos e 5 milhões de adultos, crianças e adolescentes).

Sendo assim, os idosos são, muitas vezes, responsáveis pela renda familiar ou complementam o orçamento da casa, com sua já pequena aposentadoria.

A defesa dos direitos mínimos e a luta pelo 14º salário aos aposentados 

É em meio a toda essa situação de desalento e incertezas, que os aposentados pelo INSS estão reivindicando o recebimento de um 14º salário emergencial em razão da pandemia.

A proposta se consolidou após o surgimento de uma ideia legislativa, publicada no portal e-Cidadania, que contou com apoio de mais de 60 mil internautas. Se aprovada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, a sugestão é transformada em projeto de lei, com tramitação normal.

Para o integrante do Setorial de Aposentados da CSP-Conlutas Joaquim Aristeu Neto, a  população idosa, mesmo antes da pandemia, já vivia uma situação bastante difícil, sobretudo em relação à saúde pública, altos preços dos medicamentos e salários  arrochados. “Com a pandemia, os idosos que, muitas vezes, além de suas famílias, também socorrem netos e filhos desempregados, tiveram a sua situação piorada”, aponta.

Neste sentido, a luta pelo 14° salário é fundamental. “Fazemos um chamado aos aposentados, aposentadas, pensionistas para se mobilizarem e fazerem pressão nos senadores  pela aprovação do projeto de lei”, avalia.

Gesa também reforça a importância de políticas voltadas aos aposentados e defende a necessidade da implementação do 14° salário . “É por isso que a luta pelo 14° salário emergencial para aposentados e pensionistas é uma bandeira que estamos ainda perseguindo”, conclui. 

Fonte: CSP-Conlutas

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