Por unanimidade, diretoria da Anvisa aprovou neste domingo, 17/1, uso emergencial de vacinas contra a covid-19.

Os cinco diretores da Anvisa seguiram voto da gerência técnica e da relatora, que acataram pedidos do Butantan e da Fiocruz. Mulher, negra e enfermeira é a primeira a receber dose da CoronaVac contra covid-19, em São Paulo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial das vacinas contra a covid-19 CoronaVac e AstraZeneca. A primeira está sendo produzida em São Paulo pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. A Fiocruz é a autora do pedido de aprovação da AstraZeneca foi apresentado pela Fiocruz, que desenvolve o imunizante junto à Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Após três gerências técnicas da agência recomendarem a aprovação do uso emergencial das duas vacinas, a diretora Meiruze Freitas, relatora dos processos, votou favorável à liberação. Ela foi seguida por três outros diretores: Romison Rodrigues Mota, Alex Campos e Cristiane Rose Jourdan Gomes.

A votação foi encerrada com o voto do presidente da Anvisa, Antonio Barra, que também foi a favor do uso emergencial da CoronaVac e AstraZeneca contra a covid.

Começou

Poucos minutos depois após a Anvisa autorizar o uso emergencial das vacinas, a enfermeira Mônica Calazans recebeu a primeira dose da CoronaVac aplicada no Brasil. O evento foi registrado no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Moradora de Itaquera, zona leste da capital paulista, Mônica tem 54 anos e perfil de alto risco para complicações da covid-19. Porém, apesar de acima do peso, hipertensa e diabética, ela trabalha há oito meses na linha de frente do combate ao coronavírus.

Em maio do ano passado, no auge da primeira onda da doença, Mônica se inscreveu para vagas de CTD (Contrato por Tempo Determinado), e fez opção de trabalhar no Hospital Emílio Ribas, epicentro do combate à pandemia.

Ressalvas

No caso da Coronavac, a relatora condicionou o aval à assinatura pelo Butantan de um termo de compromisso que prevê a apresentação dos dados de imunogenicidade da vacina até 28 de fevereiro, já que os relatórios sobre o tema foram considerados insuficientes.

As informações de imunogenicidade devem mostrar por quanto tempo dura a resposta imune provocada pela Coronovac. “Após avaliação dos relatórios, ressalvadas algumas incertezas, os benefícios conhecidos superam os riscos potenciais”, disse Meiruze.

Já a aprovação do uso emergencial da vacina de Oxford vale apenas para o lote de 2 milhões de doses que o governo federal ainda tenta importar da Índia.

Urgência

Tanto na análise do pedido do Butantã, quanto no da Fiocruz, o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, afirmou que há algumas “incertezas” sobre ambos os imunizantes. No entanto, recomendou à diretoria a aprovação emergencial do uso devido à gravidade da pandemia, com aumento rápido de de casos óbitos.

Tanto o corpo técnico, quanto a diretoria da Anvisa foram igualmente unânimes em afirmar que não existe terapia preventiva contra a covid-19. O parecer, contraria o Ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, que segue insistindo em divulgar o “tratamento precoce” contra a doença, feito com medicamentos comprovadamente ineficazes, em vez de liderar uma campanha nacional de vacinação.

Fonte: Rede Brasil Atual

 

 

 

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