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Como poderoso rolo compressor, o grupo de parlamentares da Bancada Ruralista atropela as defesas dos territórios indígenas, quilombolas e das Unidades de Conservação, além de atuar fortemente pela liberação do uso de agrotóxicos e pelos interesses dos latifundiários e do grande negócio

Domingo, 31 de janeiro 2016, a família brasileira estirada no sofá acompanha mais um episódio do quarentão Fantástico, programa da Rede Globo conhecido por misturar jornalismo e entretenimento.

Tadeu Schmidt e Poliana Abritta dividem o palco do “Show da Vida”.

Tadeu: Eles dizem que estão vendendo saúde, alimentos cultivados sem agrotóxico e cobram caro por isso.

Poliana: Olha, mas a verdade é que estão se aproveitando da falta de fiscalização pra enganar o consumidor nesse que é um dos mercados que mais crescem no país.

Pausa dramática.

Poliana: Eles são os vendedores de falsos orgânicos.

matéria veiculada na sequência para milhões de telespectadores resultaria dois meses depois em mais uma tentativa de retrocesso ao país. Inspirado no vídeo de 12 minutos, o suplente de deputado federal Edinho Bez (MDB/SC) propôs o projeto de lei 4576, que restringe a venda de orgânicos somente às feiras e aumenta ainda mais a burocracia para o agricultor que não envenena alimentos.

A reportagem do Fantástico, que demonstra preocupação com a possibilidade de aumento de 35% no consumo de orgânicos em 2016, denuncia três pessoas que afirmam vender produtos livres de agrotóxicos, mas são desmascaradas por testes de laboratórios. Mauro Schorr e Gilberto Hawerroth, em Florianópolis, e Raminha Correia da Silva, em Recife. No Ceará, pimentões contaminados são encontrados em uma das bancas do Mercado dos Pinhões, em Fortaleza.

Em 3,6 mil quilômetros percorridos, mais que a extensão da Índia, um dos maiores países do mundo, a equipe do programa encontra quatro falsos produtores. Seis fontes opinam sobre a fragilidade do mercado de orgânicos no país. São ditas frases como “eles estão atrás de dinheiro fácil”, “preços acima da média”, “vendas de produtos falsos”, “cobram mais caro dizendo que são orgânicos”, “falsificadores”, “pegar feirantes de surpresa”, “é muito grave”, “trabalho de coleta de amostras é raro no Brasil”, “punir com rigor”, “abusando boa-fé”, “crime”, “certificação reduz risco, mas não evita fraudes”.

Missionário do agronegócio: Edinho Bez quer limitar a venda de orgânicos no Brasil Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

Missionário do agronegócio: Edinho Bez quer limitar a venda de orgânicos no Brasil Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

Curiosamente, para buscar um exemplo de plantação agroecológica, a reportagem vai a São Paulo, não às cidades onde ocorrem as denúncias. Por treze segundos, o produtor Fernando Ataliba fala sobre fertilidade do solo – assunto desconexo com o conteúdo.

O segundo contraponto, após quase dez minutos de vídeo, é do fiscal agropecuário de Santa Catarina Eduardo Ribas Amaral e dura apenas oito segundos. “Dá para confiar nos produtores. A maioria é extremamente séria”, ele diz.

Seriedade comprovada pelo fato de que foram os próprios produtores agroecológicos que denunciaram os farsantes ao programa, o que só é dito no final da reportagem, quando a imagem de todo setor está manchada.

Embasada nesse programa de televisão, o referido projeto de lei tem dois parágrafos de justificativa. O deputado federal fez questão de sintetizá-la. Escreveu sobre o risco do consumidor “comprar gato por lebre”. Ele não quis dar entrevista ao Maruim.

O PL de Edinho Bez foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural na Câmara dos Deputados no dia 13 de junho de 2018, tramita na Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania com relatoria do deputado Lucas Vergilio (SD-GO) e tem chances significativas de ir à Plenário e depois ao Congresso – casas com 228 deputados e 27 senadores ruralistas.

A possível proibição da venda de orgânicos em supermercados repercutiu em toda imprensa e causou alvoroço nas redes sociais. Mas o projeto de lei é apenas a ponta do iceberg. O agronegócio nunca devorou com tanto apetite o Brasil.

CARDÁPIO DA SEMANA

Ação entre amigos: apoio incondicional do Planalto aos projetos da Bancada Ruralista Foto: Marcos Corrêa-PR

Ação entre amigos: apoio incondicional do Planalto aos projetos da Bancada Ruralista Foto: Marcos Corrêa-PR

Na ampla mansão cor de terra, n°19, situada à beira do Lago Sul, bairro de elite de Brasília, os lobistas oferecem às terças-feiras um almoço para a Bancada Ruralista, formalizada como Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e para agentes financeiros. No evento estratégico, batizado Cardápio da Semana, são definidos os temas que devem ir a plenário ou para as comissões temáticas.  A bancada mais organizada do país é mantida pelo Instituto Pensar Agropecuária, espécie de braço institucional do lobby, com dinheiro de 39 entidades empresariais.

No Senado, 33% dos parlamentares são ruralistas e na Câmara 44% – metade dos representantes é do Sudeste e do Sul. Em Santa Catarina, a proporção é maior. Os três senadores – Dario Berger (MDB), Paulo Bauer (PSDB) e Dalirio Beber (PSDB) – são ruralistas.  Dos 16 deputados federais eleitos, dez são filiados à FPA, um percentual de 62,5% – o que não significa que os outros deputados não votem a favor das pautas do agronegócio. Na verdade, a oposição normalmente se restringe aos petistas Décio Lima e Pedro Uczai.

Com representatividade expressiva, a Bancada Ruralista é um rolo compressor capaz de enfraquecer as defesas dos territórios indígenas, quilombolas e das Unidades de Conservação – uma força tão poderosa que foi capaz de derrubar a presidente Dilma Rousseff (PT), sem comprovação de crime de responsabilidade, e manter Michel Temer (MDB) no mais prestigiado cargo da República.

Sua teia é vasta e fortalecida por expoentes das indústrias e das finanças, como as bilionárias transnacionais interessadas em produtos barateados.

O Brasil tem 63 milhões de hectares cultivados, de acordo com a Embrapa. Do total, 61,6 milhões foram usados para a produção de commodities agrícolas na safra 2017/2018. Produtos em estado bruto, com pouco valor agregado, que exploram ferozmente a terra, geram concentração de renda na mão de poucos e caracterizam os países subdesenvolvidos. Ainda mais nociva é a pecuária, que ocupa com gado 158 milhões de hectares – incluído 65% do território ilegalmente desmatado na Amazônia.

Num claro jogo de forças para arrombar as portas da democracia, os ruralistas têm se mostrado efetivos em seus projetos. Assinaram propostas como a MP da Grilagem, a PEC da Morte, o Pacote do Veneno e a Portaria do Trabalho Escravo.

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O Ruralômetro, ferramenta desenvolvida pelo Repórter Brasil, analisou o comportamento socioambiental dos parlamentares eleitos em 2014 a partir de como votaram e dos projetos que elaboraram e constatou que 63% deles têm postura desfavorável para o meio ambiente, trabalhadores do campo e, sobretudo, povos indígenas e quilombolas.

Cada deputado foi pontuado dentro de uma escala equivalente ao que seria a temperatura corporal: de 36⁰C a 42⁰C. Quanto pior avaliado, mais alta a temperatura – podendo atingir níveis febris.

Dos 13 deputados com temperatura acima de 41°C, Valdir Colatto (MDB/SC), que luta para liberar a caça de animais silvestres, é o quarto da lista.

Além da pontuação dos deputados, o Ruralômetro mostrou quem recebeu financiamento de campanha, em 2014, de empresas autuadas pelo Ibama ou que foram flagrados com trabalho escravo. Segundo o levantamento, 57% dos eleitos receberam, ao todo, R$ 58,9 milhões em doações de empresas autuadas pelo Ibama por cometerem infrações ambientais. Outros 10% foram financiados com R$ 3,5 milhões doados por empresas autuadas por trabalho escravo.

Nos últimos quatro anos, os ruralistas encaminharam 26 projetos de lei para alterar processos de demarcação de terras indígenas ou pedir a suspensão da homologação de comunidades regularizadas. E mais seis projetos para mudar as regras de licenciamento ambiental e três para facilitar a liberação de agrotóxicos. Há ainda um projeto defendido pela Bancada Ruralista que libera o porte de armas para trabalhadores ou proprietários de áreas rurais e uma Proposta de Emenda à Constituição que permite e regula a compra de terras por estrangeiros.

BILIONÁRIO NEGÓCIO TÓXICO

Com o título de campeão mundial no uso de venenos há dez anos, dizer que o Brasil é o reino dos agrotóxicos é algo banal.O país é, sobretudo, uma grande empresa agrícola,com seus articuladores envelhecendo no poder.

O Pacote do Veneno (PL 6299/2002) é o melhor exemplo da força do agronegócio.

A proposta de autoria de Blairo Maggi (PP), com relatoria de Luiz Nishimori (PR- PR), se aprovada, resultará no desmonte da análise tripartite feita pelo Ministério da Saúde (Anvisa), Ministério do Meio Ambiente (Ibama) e Ministério do Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa) – que atualmente avalia apenas a eficiência agroeconômica do veneno – para deixar todo processo à cargo do Mapa. Lembrando que o ministro do Mapa no governo Temer (MDB) é o próprio Maggi,  que coleciona os títulos de rei da soja e motosserra de ouro, por sua contribuição à destruição da Amazônia.

No projeto de lei também estão previstas prescrições de pulverizações em lavouras antes mesmo da ocorrência de pragas, sem receituário agronômico, o que aumentaria o uso indiscriminado de veneno no campo. O texto proíbe ainda que estados e municípios tenham regularizações mais restritivas. E, como se ainda não bastasse, agrotóxicos passariam a ser rotulados como defensivos fitossanitários.  

Apesar da forte oposição – 81% da população brasileira é contra o aumento no uso de venenos -, de acordo com o Ibope deste ano, o PL avança.

Durante a Copa do Mundo, a Comissão Especial da Câmara se reuniu a portas fechadas e aprovou o PL por 18 a 9. Os deputados catarinenses do MDB Celso Maldaner, Peninha e Valdir Colatto votaram a favor dos venenos.

Euforia incontida: parlamentares e Michel Temer celebram interesses da elite rural Foto: Brasil 247/Divulgação

Euforia incontida: parlamentares e Michel Temer celebram interesses da elite rural Foto: Brasil 247/Divulgação

Na tentativa de barrar o PL, que seguirá para plenário, estão as instituições de pesquisa FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz) e Inca (Instituto Nacional de Câncer); as sociedades científicas SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e ABAAgroecologia; os órgãos técnicos das áreas de saúde e ambiente DSAST (Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador), do Ministério da Saúde, Anvisa (Associação Nacional de Vigilância Sanitária), Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais da Saúde) e o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente); órgãos do Judiciário como Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública da União.

Se juntam à extensa lista  órgãos de Controle Social, Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Conselho Nacional de Saúde, Conselho Nacional de Segurança Alimentar; Fórum Baiano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e a Sociedade Civil Organizada, na plataforma #ChegaDeAgrotóxicos, com mais de 1,6 milhão de assinaturas; manifesto assinado por 320 organizações civis; servidores do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e a Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil.

Esses grupos divulgaram um dossiê técnico, com quinze análises cuidadosamente desenvolvidas pelos mais renomados profissionais do Brasil, para alertar sobre a gravidade da lei. Os riscos à saúde são citados em diversos trechos:

Pulverização letal: entre 2007 e 2014, agrotóxicos causaram 1.186 mortes no país Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Pulverização letal: entre 2007 e 2014, agrotóxicos causaram 1.186 mortes no país Foto: Nilton Fukuda/Estadão

“Intoxicações crônicas podem provocar infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade manifestada através de distúrbios cognitivos e comportamentais e quadros de neuropatia e desregulação hormonal”.

“PL do Veneno, se aprovado, aumentará os casos de intoxicações agudas e crônicas, e a morte de trabalhadores e trabalhadoras por agrotóxicos no campo e na cidade”.

“Muitas dessas substâncias têm o potencial de se acumular na corrente sanguínea, no leite materno e, principalmente, nos alimentos consumidos pela população.”

O médico do Centro de Informações e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATOX/SC) Pablo Moritz enfatiza sobre a possibilidade de “obesidade, câncer, endometriose, autismo, Alzheimer, depressão, doença de Parkinson”.  

Entre 2007 e 2014 ocorreram no Brasil 25 mil casos de intoxicação com agrotóxicos de uso agrícola, causando no mesmo período 1.186 mortes.

De acordo com a FioCruz, a cada hora duas pessoas no Brasil são diagnosticadas por intoxicações causadas por agrotóxicos. A cada dia, uma pessoa tenta se matar em consequência da imunodepressão causada pelos agrotóxicos. Estima-se que essas notificações sejam de um caso a cada 50.

Santa Catarina é o nono estado que mais usa agrotóxicos na produção agrícola, com volume entre 25 mil e 30 mil toneladas por ano, de acordo com o IBGE.

Segundo o Censo Agropecuário, dos 193 mil estabelecimentos rurais de Santa Catarina, 87% são de agricultura familiar.

São pequenos proprietários, fisgados pelas propagandas das empresas de veneno – que há quatro décadas invadiram o mercado prometendo saúde, progresso e prosperidade -, as principais vítimas de um negócio que movimentou quase R$ 40 bilhões às transnacionais em 2016. Os agricultores familiares “compraram gato por lebre”, como poderia ser simplificado pelo suplente Edinho Bez.

AGROECOLOGIA CRESCE EM SC

A modernidade faliu. Com ela, o sonho de progresso. O desenvolvimento, envolto no mito de que para crescer era preciso sacrificar, autorizou barbáries. A natureza foi transformada em inimiga, a competição em razão comum e todos perderam. Esta poderia ser apenas uma breve história da humanidade, mas é o gatilho para um movimento rebelde: a sustentabilidade, ponta de lança para a criação de um novo mundo. Consciente, justo e amoroso.

Uma das faces desse movimento é a agroecologia, ambientalmente saudável, economicamente eficiente e socialmente justa.

De acordo com o Ministério da Agricultura, em Santa Catarina há 2030 produtores com certificados de alimentos orgânicos, muitos deles fortalecidos por associações e cooperativas. Há ainda milhares de agricultores agroecológicos sem registro.

O setor está em crescimento, graças ao aumento do consumo. De acordo com Nelson Jacomel Júnior, sócio-fundador da ABDSul (Agricultura Biodinâmica do Sul), muitos produtores que utilizavam veneno estão fazendo a transição para plantações orgânicas no Estado. “O número de produtores que migram para os orgânicos é de aproximadamente 30% ao ano”, dimensiona ele.

A saúde é o grande incentivo. Os trabalhadores do campo são os que mais adoecem. Cerca de 70% dos alimentos produzidos no Brasil estão envenenados, de acordo com a Anvisa. Muitos deles com substâncias ilegais. Segundo estimativa do Sindicato Nacional de Produtos para Defesa Vegetal, 20% dos agrotóxicos jogados nos alimentos são resultado de contrabandos por serem proibidos no país.

Além de qualidade de vida para si e para o planeta, o Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola), braço da Epagri, observou que nos últimos dez anos as famílias que fizeram a transição aumentaram suas rendas em 27%.

Para Luís Augusto Araújo, engenheiro agrônomo da Epagri, a agroecologia em Santa Catarina é, por enquanto, um raio de sol. Visão que remete a Francisco de Assis, “apenas um raio de sol é suficiente para afastar muitas sombras”.

 

Os deputados catarinenses, eleitos em 2014 e filiados à FPA, têm muitas semelhanças. São todos homens, brancos, com mais de 50 anos, que foram eleitos graças às doações empresariais – e fazem da política sua profissão. Os que gastaram menos utilizaram meio milhão de reais em suas campanhas. A corrida eleitoral dos deputados João Rodrigues (PSD) e Ronaldo Benedet (MDB) custou três vezes esse valor. Foi na tentativa de evitar tanta influência na política que o Supremo Tribunal Federal determinou em 2015 o fim das campanhas empresariais – medida que será posta à prova novamente no dia 7 de outubro. Todos os deputados concorrem a cargos nas eleições 2018.

Valdir Colatto (MDB) preside a Comissão de Meio Ambiente da FPA, é sub-relator da CPI da Funai e idealizador do novo Código Florestal Brasileiro. O deputado gastou R$ 619 mil para se eleger em 2014. Sua maior doadora foi Claídes Masutti, uma latifundiária do Mato Grosso, que teve uma curta trajetória política. Ela foi cassada da prefeitura de Campos de Júlio, cidadezinha de 6.500 habitantes no seu estado natal, por ter oferecido em sua fazenda um churrasco às vésperas das eleições de 2008, exaltando suas qualidades.

O Tribunal Superior Eleitoral entendeu que ela “comprou votos e abusou do poder econômico”. Claídes repassou R$ 215 mil para Colatto.

Os outros recursos são da madeireira de Caçador, Adami, que investiu R$100 mil na campanha do candidato; a Cosan, gigante do agronegócio, R$50 mil; a Alliance One, proveniente da união de duas grandes organizações do setor fumageiro mundial, a Dimon Incorporated e a Standard Commercial Corporation, R$30 mil; a Coprodia, usina de Cana e Etanol, outros R$20 mil; assim como suas semelhantes a Usimat, a Barralcool e a Itamaraty. E a cooperativa de crédito de Santa Catarina doou R$30 mil. Os outros R$ 41 mil saíram do bolso de Valdir Colatto. Em sua declaração de bens, consta mais de 2 mil hectares de terra, sendo a maior área localizada em Rondônia, na região do chamado arco do desmatamento. Ele também possui participações em empresas relacionadas à agropecuária.

Valdir Colatto é candidato à reeleição.

João Rodrigues (PSD), que teve seu momento de fama quando assistiu a um vídeo pornô, enviado por whatsapp, enquanto os deputados votavam a Reforma Política de Eduardo Cunha (MDB) que tornava constitucional o financiamento privado das campanhas, recebeu R$ 1,6 milhão. Mais de meio milhão da empresa de fogões de Pinhalzinho, Clarice Eletrodomésticos; R$150 mil da empresa de engenharia Prosul; R$ 100 mil do grupo Bugio, proprietário do frigorífico Ecofrigo, de Chapecó; R$ 95 mil de Fabio Hoffmann Pegoraro, sócio-fundador da Macrolicit Comercio de Equipamentos Agrícolas, de São José; R$ 50 mil da Sertrading, uma das maiores importadoras do Brasil; R$ 50 mil de Edegar Giordani; R$ 50 mil da madeireira Adami; R$ 30 mil da Concrebal; e R$20 mil da Britabal.

João Rodrigues é conhecido por suas pautas conservadoras como a de armar seguranças, comerciantes, taxistas e caminhoneiros, assim como a proposta de policiamento dentro do campus universitário. Para beneficiar o agronegócio, ele deseja isentar os impostos dos veículos utilizados por profissionais do setor agrário, ambiental e florestal. Já as construtoras seriam privilegiadas com a PL 675/2015, que prevê, no máximo, 60 dias para avaliação de licenciamento de obras públicas.

Outras propostas polêmicas do deputado são a exclusão de pessoas que cumpriram pena por tráfico do Programa Minha Casa, Minha Vida. Já as pessoas com a ficha-suja na Justiça não poderiam receber o Bolsa Família. Pela lei, João Rodrigues estaria entre aqueles que não poderiam se beneficiar dos programas – não que ele precise.

O candidato busca na Justiça o direito de competir na corrida eleitoral de dentro do Presídio da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena por fraude e dispensa em licitação.

Peninha (MDB) usou R$ 829 mil na campanha. Da Saepar, que atua com participação em outras empresas, levou R$ 250 mil; da GPO de gerenciamentos de projetos e obras R$ 50 mil; da Técnica Viária Construções R$ 50 mil; da Intelbras R$ 50 mil; da BRF R$ 50 mil e da Pamblona Alimentos R$ 40 mil; do tabelião Naurican Ludovico Lacerda, recebeu R$ 50 mil. Naurican assumiu em 2014 o 1° Tabelionato de Protestos e Registro de Títulos e Documentos de Goiânia, no estado de Goiás, e no ano seguinte faturou mais de R$ 33 milhões. Na época, chegou a ser afastado da função pelo ministro Ricardo Lewandowski, que era presidente Supremo Tribunal Federal. Outros R$50 mil, ele recebeu de Sandro Mabel, empresário e político brasileiro, relator do substitutivo da PEC que altera o Sistema Tributário Nacional. O trabalho foi desenvolvido para redistribuir a arrecadação entre União, Estados e Municípios, desconcentrando o dinheiro público. Por fim, recebeu R$40 mil da empresa de reforma e construção Eternit e R$ 30 mil da Alliance One.

Peninha é autor da PL 3722/12, que revoga o Estatuto do Desarmamento e estipula critérios para compra, porte e posse de armas. Entre os pontos polêmicos da proposta está o que garante ao cidadão o direito de adquirir e portar na rua até nove armas de fogo. O texto também aumenta o número de munição para portadores de armamento: de 50 balas por ano para 50 balas por mês.

Peninha não recebeu dinheiro da indústria de armas, mas seu partido, o MDB, foi o que mais se beneficiou desse lobby nas eleições passadas.

Rogério Mendonça Peninha vai tentar a reeleição.

Celso Maldaner (MDB) também membro da Bancada Evangélica, gastou R$ 1,1 milhão na campanha. Foi patrocinado pela Raia Drogasil em R$ 200 mil; a Bom Sinal, fabricante de veículos ferroviários, deu R$ 200 mil; a Laticínios Bela Vista destinou R$ 150 mil; as Borrachas Vipal R$ 100 mil; a Woa R$ 60 mil; a Andrade Gutierrez R$ 50 mil; mesmo valor da Saepar e da madeireira Adami; a Tractebel R$ 40 mil; e o político investiu na sua campanha R$79,8 mil.

O governista é favorável às reformas Trabalhistas, da Previdência e a Terceirização. Atua nas Comissões da Lei de Licitações, da PEC da Morte e da MP673, que trata do emplacamento e licenciamento de máquinas agrícolas.

Celso Maldaner concorre novamente ao cargo.

Ronaldo Benedet (MDB) gastou R$ 1,7 milhão na campanha. Recebeu R$ 200 mil da Técnica Viária Construções; R$ 200 mil da Intelbras; R$200 mil do diretório do MDB; R$150 mil da Castellar Engenharia; R$150 mil da Indústria Carbonífera Rio Deserto; R$100 mil da JBS; R$200 mil do Bradesco; R$ 90 mil da Tractebel; R$50 da Indústria de Confecções Damyller; R$ 50 mil da Andrade Gutierrez; R$50 mil da Itajuí Engenharia e Obras; R$ 50 mil da Locofer; R$28 mil da Carbonífera Belluno; R$ 20 mil da indústria de armas Taurus; R$ 10 mil da Farol Park Estacionamentos; R$ 7 mil da sua conta e 96 depósitos menores com valores variados de R$5 a R$ 1 mil.

O peemedebista propôs à Câmara o projeto de lei 1546/2015. Na prática, a lei deseja afastar as intervenções dos órgãos de proteção, como Ibama, ICMBio e Funai, dos processos de licenciamento ambiental, além de acelerar os prazos.

Ele é autor do PL 1546/2015, um projeto mais amplo que regulamenta empreendimentos e atividades que utilizem componentes poluidores, mas que tem um capítulo específico sobre esses empreendimentos em Terras Indígenas.

Outra lei polêmica proposta por Benedet é o direito dos advogados usarem armas de fogo. O político ainda batalhou por epítetos: para que Braço do Norte tivesse o título de Capital Nacional do Gado Jersey e São Joaquim o da Capital Nacional da Maçã.

Ronaldo Benedet vai tentar a reeleição.

Marco Tebaldi (MDB) gastou R$ 561 mil. Sua maior doação foi do próprio partido, R$ 150 mil; a Convisa doou R$ 100 mil; o grupo de agronegócio Fernandes Vieira investiu R$ 50 mil; a AcelorMittal R$ 40 mil; a Locofer R$ 20 mil; a Imobiliária Zattar R$ 20 mil; os advogados associados Osta, Martins, Meira e Rinaldi R$ 25,7 mil; Miguel Abuhad, empresário das maiores empresas de desenvolvimento de softwares para gestão no país, doou R$ 20 mil; mesmo quantia que o Médico Veterinário Luis Augusto Albertoni R$ 20. Tebaldi investiu R$ 34 mil na campanha.

Tebaldi é autor da PL 334/15, que autoriza a entrada de veterinários do setor privado na fiscalização dos produtos de origem animal. Atualmente, a responsabilidade da inspeção é dos fiscais agropecuários da União, Estados e municípios. O projeto é celebrado pelos profissionais da área e muitos envolvidos no setor do agronegócio.O Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS), no entanto, adianta que “há uma preocupação com os técnicos em relação ao tema”. A alegação é de que a contratação de profissionais pagos pelas indústrias pode comprometer a fiscalização.

Marco Tebaldi é candidato à reeleição.

Esperidião Amin (PP) foi patrocinado em R$ 1,4 milhão. Seu principal financiador foi a JBS, que doou R$ 600 mil; o Banco de Investimento BGT Pactual doou R$ 300 mil; a Cosan, que trabalha com logística e gestão agrícola, quase R$ 100 mil; a Woa e a Prosul, R$ 75 mil cada; a Engevix, R$ 50 mil; a Tractebel, R$ 40mil; a Indústria Carbonífera Rio Deserto, R$ 28 mil; a Carbonífera Catarinense, R$ 22 mil; e a indústria têxtil Buddemeyer, R$ 25 mil. Sua campanha foi financiada por quatro frentes: agronegócio, empreiteiras e construtoras e mineradoras.

O político concorre ao Senado.

Jorginho Mello (PR) gastou R$ 1,4 milhão na campanha. Foi financiado pela indústria de aço AcelorMittal em R$620 mil; pela JBS em R$ 300 mil; pela Silva & Bertoli Empreendimentos em R$169 mil; pelo MDB em R$100 mil; pela Construtora Centro Minas em R$100 mil; pela lacticínios Tirol em R$20 mil; pela secretária adjunta da Prefeitura de Florianópolis Ariana Scarduelli em R$4,5 mil; e o restante do dinheiro veio da família Mello, R$ 10 mil de Bruno Freitas Mello, R$ 5 mil de José Augusto Mello e R$ 65 mil do próprio bolso.

Jorginho Mello, como a maioria dos seus colegas, foi favorável às mudanças no Código Florestal, também votou a favor do fim das informações no rótulo sobre produtos transgênicos e pela redução de 20% do parque de São Joaquim, além da drástica redução de áreas de preservação na Amazônia.

Jorginho Mello irá concorrer ao Senado.

João Paulo Kleinübing (DEM) gastou R$ 617 mil e foi o maior doador de sua campanha, com R$ 215 mil. Também o financiaram a Adami Madeireira R$ 50 mil; a siderúrgica Arcelormittal do Brasil R$ 50 mil; a Woa R$ 50 mil. Recebeu R$ 40 mil da Hering; R$ 40 mil Tractebel; R$ 30 mil Unimed de Blumenau; R$ 25 mil da Carbonífera Criciúma; R$ 15 mil da Construtora Stein Ltda; e R$ 10 mil de Cassio Murilo Chatagnier dos Quadros

Somente no ano passado, votou favorável a MP da Grilagem; da medida provisória que aumentou a área desprotegida da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, e que ampliou a desproteção do Parque Nacional de São Joaquim (SC) e da Serra do Cachimbo (PA); da Reforma Trabalhista e da lei que dificulta o combate ao trabalho escravo no campo.

O político concorre como vice-governador na chapa de Gelson Merísio (PSD).

Edinho Bez (MDB) não foi eleito em 2014, mas ocupou como primeiro suplente a cadeira de João Paulo Kleinubing, enquanto o deputado assumiu a pasta da Saúde no governo Raimundo Colombo (PSD).

Bez é conhecido no noticiário por pagar picanha e cerveja e hospedar sua esposa em Pirenópolis, cidade turística de Goiás, com verba da cota parlamentar.

Ele já esteve no cargo por dois mandatos e seus projetos de lei mais conhecidos são a proposta para que o Legislativo interfira na escalação da Seleção Brasileira de Futebol e o PL4576/2016, inspirada pelo Fantástico, restringindo a venda de produtos orgânicos no país. 

Fonte: Maruim

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