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“A Vale é uma jóia brasileira, que não pode ser condenada por um acidente que aconteceu em uma de suas barragens, por maior que tenha sido a tragédia”, disse Fábio Schvartsman

 
O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse nesta quinta-feira (14), na Câmara dos Deputados, que, por questões de agilidade, os gestores locais da empresa “têm total autonomia para tomar decisões” relacionadas a risco eminente nas barragens. Segundo ele, “não há envolvimento” dos altos escalões “pelo simples fato de que nunca haveria tempo de envolve-los em um processo desse tipo”. O tempo todo, ele se referiu ao rompimento como “acidente”.

“Todo o sistema operacional é um sistema de delegação. Com tantas barragens espalhadas pelo mundo, não é possível que seja necessária uma burocracia para decidir se tem que reagir rapidamente a um problema de barragem. Isso tem que ser feito no local, com independência e com muita agilidade. Em Brumadinho, como em todos os outros locais que a Vale opera, os gestores locais têm total autonomia para tomar decisões”, afirmou a deputados.

Schvartsman afirmou, ainda, que a Vale não construiu a barragem na Mina Córrego do Feijão, tendo adquirido-a da empresa Ferteco em 2001. “A Vale não utiliza o método de construção a montante [mais barato e menos seguro] de barragem nenhuma. Algumas barragens adquiridas foram a montante, como é o caso dessa da Ferteco. Não obstante, passando por todos os processos de monitoramento, de forma à gente ter convicção de que nada aconteceria”, declarou, reiterando que, desde Mariana, está desativando barragens do tipo.

No entanto, em um determinado momento, Schvartsman falou como se a Vale não tivesse relação com a barragem de Mariana. “Em 70 anos, nunca havia havido um problema de barragem. O primeiro acidente de barragem da Vale aconteceu agora em Feijão”. A Samarco, empresa responsável por Mariana, é um consórcio entre a Vale e a companhia britânica BHP Billiton.

‘Jóia’

O executivo fez um apelo aos parlamentares pela preservação da Vale. “A Vale é uma jóia brasileira, que não pode ser condenada por um acidente que aconteceu em uma de suas barragens, por maior que tenha sido a tragédia”, disse.

O presidente da Vale afirmou ainda que pediu a intermediação do governo brasileiro para entrar em contato contato com o US Army Corps of Engineers, o órgão norte-americano responsável pelo licenciamento de barragens. Shvartsman disse que o objetivo é que o órgão visite a Vale e revise os processos da empresa brasileira, “eventualmente colaborando no aperfeiçoamento do código de mineração”. O executivo também quer realizar um “seminário” sobre o tema.

Schvartsman disse que, desde o rompimento da barragem de Brumadinho, a Vale passou a fazer o monitoramento de todas as suas estruturas a cada 24 horas e declarou não ter ideia dos motivos da tragédia. “Todas as informações que nós possuíamos e que nos eram enviadas pelos técnicos da Vale, demonstravam que não havia qualquer perigo eminente sobre aquela barragem. Se nós tivéssemos tido qualquer sinal relevante nessa direção teríamos agido”.

O presidente da Vale foi convidado a prestar esclarecimentos pela comissão externa instalada na Câmara para acompanhar os desdobramentos do rompimento da barragem em Brumadinho. Nessa quarta (13), o número de mortos na região foi atualizado para 166 pessoas. Um total de 155 pessoas seguem desaparecidas.

Fonte: Revista Fórum

 

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