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24 de maio foi um dia de luta e resistência da classe trabalhadora brasileira. Desde cedo, manifestantes de todo o Brasil começaram a desembarcar em Brasília para o protesto organizado pelas centrais sindicais e movimentos sociais, pedindo a saída imediata do presidente Michel Temer (PMDB), eleições diretas e para barrar a reforma trabalhista e da previdência que tramitam no Congresso Nacional.

Após concentração no estádio Mané Garrincha, a marcha seguiu em direção ao Congresso, mas foi desmobilizada pela forte repressão policial. Enquanto muitos ainda se deslocavam do estádio, houve a primeira ofensiva policial. Um forte aparato foi montado, inviabilizando o acesso ao gramado em frente ao Congresso. Bombas foram arremessadas em direção às pessoas que buscavam se aproximar dos carros de som das centrais, já localizados próximo as entradas da Câmara e do Senado.

Para Luciano Veras, coordenador-geral do Sindprevs/SC, presente no protesto, esse é o momento de radicalização da luta. “Foi um momento histórico para o Brasil em que os trabalhadores sinalizaram que não vão aceitar a retirada de direitos e nem serem governados por bandidos como Temer”, argumenta.

Cenário de guerra

“O governo Temer, de maneira covarde, agrediu severamente os trabalhadores, foi um campo de guerra como eu jamais vi. Agora, precisamos construir uma nova greve geral no país porque as reformas não podem ser votadas”, destaca João Paulo Silvestre, servidor do INSS em Florianópolis e diretor do Sindprevs/SC.

A tarde foi de corre-corre em meio a muito gás de pimenta, balas de borracha e bombas arremessadas no meio da multidão. A resposta ao ataque militar foi imediata. Barricadas e ataques aos prédios públicos foram a forma de protesto possível diante da violência com que agiram polícia e governo. Através de decreto presidencial, Temer autorizou o emprego das Forças Armadas para a "garantia da lei e da ordem no Distrito Federal". O decreto, chamado de AI-5 do Temer pelos movimentos sociais e sindical, foi revogado nesta quinta-feira (25).

“Brasília foi literalmente tomada. Fomos recebidos com muita violência, até armas de fogo, mas resistimos. Chegamos pacificamente, nossas armas eram máscaras e esse foi somente um ensaio. Agora é greve geral e fora Temer, destaca Maria Goreti dos Santos, servidora da Anvisa e dirigente do Sindprevs/SC, que viajou mais de 30 horas com a caravana do Fórum em Defesa dos Direitos.

Um dos casos mais graves registrados envolveu um estudante do IFSC Araranguá, Vitor Rodrigues Fregulia, que teve a mão decepada por uma bomba. Vitor passou por uma cirurgia e seguirá internado até terça-feira (30) para acompanhamento médico. Ele perdeu três dedos da mão direita.

Ana Maria Vieira, dirigente do Sindprevs/SC e servidora do INSS em Araranguá, afirma que esta data vai marcar para sempre a sua memória. “O que mais me marcou foi que devo voltar para a minha casa e para o meu local de trabalho e contar a realidade do que eu vivi em Brasília neste dia 24. As pessoas se protegem e usam máscaras não porque são vândalas, mas porque são atacadas covardemente”, conta.